Ontem eu perguntei ao meu professor da faculdade se demorou para chegar aos 50 anos. Com um sorriso ele me respondeu que só demorou até chegar aos 18 e que a partir de então, o tempo voou. Ele saiu da sala e me deixou refletindo. Talvez ele nem saiba o peso que estas palavras tiveram sobre mim. Sempre que eu penso nisso, tenho a impressão de que minha vida está seguindo e eu estou apenas assistindo-a passar diante de mim, e que, quando eu menos esperar, estarei sentada numa cadeira de balanço olhando meus netos brincarem.
Pode parecer exagero, mas não é. O que eu construí nesses 19 anos? O que faz com que viver a vida seja um prazer e não um fardo? Será que estou destinada a apenas cumprir aquele velho ciclo de "nascer, crescer, amadurecer, reproduzir e morrer"? O que eu vou deixar de legado? Como as pessoas vão se lembrar de mim? Ou simplesmente não lembrarão? Eu tenho aproveitado as oportunidades que me aparecem?
Viver foi a melhor oportunidade a mim concedida e eu não tenho aproveitado como poderia. A comodidade parece tão mais confortável, eu sei. Mas definitivamente, não concorda com meus interesses. Eu quero ver o mundo com aquele olhar curioso de criança quando ainda está desenvolvendo a percepção, onde pra ela tudo é indagante [infelizmente, fazem com que as crianças cresçam acreditando que tudo é normal demais para despertar a curiosidade]; quero questionar sobre tudo, quero duvidar, quero buscar as respostas.
A vida é uma grandeza vetorial, e agora darei sentido, direção e intensidade à minha.
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